Preços dos ingressos caros para as três noites do 51º.Festival Folclórico de Parintins. Passagens aéreas que ultrapassam o valor do trecho Manaus/Rio de Janeiro/ Manaus.
Hospedagem que beiram o absurdo de 1.500 reais por pessoa.
Somando com a proposta do Governo do Estado em reduzir para 2 noites os espetáculos produzidos pelos bois-bumbás Caprichoso e Garantido, me leva à concluir que a política partidária engoliu os bois já faz algum tempo, e ninguém consegue aceitar essa dolorosa realidade.
Mestre JAIR MENDES participando do movimento azul&vermelho que abraçou o Centro Desportivo e Cultural Amazonino Mendes - o Bumbodromo pela manutenção das três noites de Festival. Com a palavra os POLÍTICOS DE "CARTEIRINHA" E PASSES LIVRES PARA OS CAMAROTES VIP'S DURANTE O FESTIVAL FOLCLÓRICO DE PARINTINS.
DEAMAZÔNIA PARINTINS, AM - Artistas vão
abraçar Bumbódromo contra redução de uma noite do Festival
Noticia atualizada
em: 2016-04-27 01:33:08
A proposta de realizar
o Festival Folclórico de Parintins 2016, em duas noite e não em três, e
consequentemente, a queda de 50% no repasse de verba do Governo do Estado são
os motivos dos protestos que artistas dos bois-bumbás Garantido e Caprichoso,
dirigentes, brincantes e torcedores realizarão nesta quinta-feira (28), em
frente ao Bumbódromo.
Eles darão um abraço simbólico no Bumbódromo para dizer que não aceitam
a proposta. É uma proposta tácita, que existe, mas que ninguém, da organização
do evento, assume .“O Festival de Parintins tem mais de 50 anos e já tivemos
várias crises no país, Esta não é a primeira, e nem por isso acabaram com
a festa”, disse um dirigente de boi.
Na última reunião entre o secretário de Cultura do Estado, Robério Braga
e os presidentes Joilto Azedo(Caprichoso) e Adelson Albuquerque (Garantido) o
tema foi novamente tocado para que as agremiações adequassem as apresentações
para somente dois dias de disputa.
O detalhe é que o Governo não assume que propôs a redução dos
dias, disseram ontem membros da alta cúpula dos bois. Com a indefinição do
valor do repasse da SEC, por conta de não se chegar a um fechamento se o
festival ficará em três ou duas noites é que os artistas se mobilizaram pelo
protesto de quinta-feira, em Parintins. A manifestação iniciará às 17h quando
encerram os turnos dos trabalhos nos galpões dos bumbás.
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Notícia postada em 2016-04-29
08:43:11
Sepultamento do Festival de Parintins e a ópera do “doutor” Robério
Braga....
Comanda
tudo na SEC e parece não comandar nada. Nada está às claras sobre o tema de
reduzir em mais de 50% o valor de repasse aos bumbás para o festival de 2016
Horas após artistas, dirigentes e
torcedores de Caprichoso e Garantido, além de outros segmentos da população de
Parintins, comparecerem ao entorno do Bumbódromo para realizar ato em prol a
manutenção do Festival Folclórico, na tarde de quinta-feira, 28 de abril, à
noite a Secretaria de Estado de Cultura (SEC) e Governo, comandada há mais de
20 anos pelo todo poderoso “doutor” Robério Braga, enviou nota à imprensa
“tirando o corpo” fora de qualquer tipo de “manobra” para enterrar a festa. A
nota é um retrato do jeito Robério de ser. Comanda tudo na SEC e parece não
comandar nada. Nada está às claras sobre o tema de reduzir em mais de 50% o
valor de repasse aos bumbás para o festival de 2016. Ano passado o corte já foi
de 20%. Inevitavelmente a cidade perderia uma ou até duas noites da disputa.
A nota é taxativa de não haver
nenhuma proposta nesse sentido, mas o “dono” da SEC sabe muito bem que nas
conversas nos gabinetes palacianos o tema é tratado sempre na abordagem com
Joilto Azedo do Caprichoso e Adelson Albuquerque do Garantido. Esse jogo de “me
engana que eu gosto” vai num momento esbarrar na figura do governador José Melo
(Pros), tão arranhada já com greves de professores, polícia, fechamento de
hospitais, crise econômica e cassação política. Mas, Robério é um bom soldado e
cumpridor de ordens. Não comentaria nada de tamanho insulto ao povo
parintinense à toa.
O secretário estadual da SEC há
vários festivais é acusado de ser contra e algoz da brincadeira da turma da
Baixa de São José e da Francesa. Fred Góes do Garantido brinca sobre o tema:
“já até cansei de brigar com o Robério”. Numa época o festival “já está
cansado, enfadonho”, outro momento “tem falta de organização, a modernização
mecânica não chegou, alegorias de forma artesanais quebram e quebram”, reclama
como se a SEC não estivesse ao lado dos bumbás para tais providências tomar e
aprimorar esses tópicos.
Sempre é ventilado na imprensa a
paixão ardente do “doutor” Robério Braga por ópera. Aos leigos caboclos dessas
paragens, a ópera popularizada na Itália no começo do século XVII é segmento
dramático musicada, desprovida de partes faladas, composta de recitativos,
árias (canções), coro, às vezes de balé e acompanhada de orquestra, explicam os
catedráticos. Desde tempos do nascedouro, a ópera adorada pelo “doutor” é
apreciada, principalmente pela burguesia e aristocracia. Burgueses a bem da
verdade até tentam popularizar a vertente. Nesse Amazonas chegou durante o
Ciclo da Borracha com a construção do famoso Teatro Amazonas, inaugurado em
1896. Quase nesse mesmo período na Ilha Bela da Imperatriz os pássaros, cordões
e bois começavam a desabrochar.
Pois bem, a brincadeira de anos do
Mestre Lindolfo Monteverde, Luiz Gonzaga, Irmãos Cid e tantos outros
personagens da Velha Tupinambarana é a nossa “ópera a céu aberto”. Ópera
incrementada pelo mestre dos mestres Jair Mendes nas alegorias do Garantido,
depois irmão Miguel de Pasqualle moldando pintores e escultores das artes do
Caprichoso e tantos outros.
Nossa ópera indígena, cabocla e de
negro tem música, cênica, coral (as galeras fazem até mais que isso), orquestra
de tambores e palminhas feitas de madeira, manuseadas através dos marujeiros e
batuqueiros. Aqui tem recital com os versos dos Amos do Vermelho e do Azul.
Temos até os solistas, hoje David Assayag e Sebastião Júnior a executar as
árias.
Podemos na nossa ópera não ter o
padrão exigido nas óperas clássicas de Carmen de Bizet, Aída de Verdi,
Guilherme Tell de Rossini, O Barbeiro de Sevilha, de Gioacchino Rossini,
Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni Flauta Mágica de Mozart, La Gioconda,
de Amilcare Ponchielli, no entanto padronizamos a Amazônia. A defesa e
resistência da floresta e dos povos que nela insistem em viver: Amazônia Viva,
Amazônia a Grande Maloca. E assim como a velha ópera burguesa, as apresentações
do Vermelho e do Azul encantam e emocionam quem assiste pela primeira vez o
espetáculo.
De certo “doutor” Robério Braga e o
atual governador José Melo não podem ser unicamente culpados e unicamente
criticados pela crise e os devaneios que culminam com dívidas estratosféricas
no Azul e no Vermelho. Ex-presidentes ajudaram a cavar esse buraco. Mas se o
buraco está pronto o “doutor” Robério e o “professor” José Melo não podem
começar a sepultar de vez a festa. Mesmo o mais desiludido do festival ou quem
não ligue para o evento sabe no fundo da existência da cadeia produtiva
econômica, social, ambiental e cultural envolvida durante quatro meses que
antecedem o evento. Vai completar mais de uma década que a cada um real
investido nos bumbás, quase 30% vai para pagar luz e sonorização do Bumbódromo.
E detalhe, não se sabe da tal licitação, pois os dirigentes ao assinarem
convênio com a SEC têm que aceitar o que vem embutido em cláusula contratual à
empresa que vai ganhar esses milhões com o som.
Somado ao enredo nem entraremos no
mérito de exposição midiática que a festa e os artistas oferecem gratuitamente
ao senhor governador, ao senhor secretário de cultura e a todo o Amazonas,
antes, durante e depois da cobertura da imprensa. Pois não haveria como o
“jabá” ser pago.
Se o FECANI de Itacoatiara foi
reduzido e outros festivais até dizimados e a população não gritou, protestou e
se manifestou é outra situação. Parintins é diferente. Parintins deve ser
olhada com a grandeza que merece. Merece, pois se fez, merece. Merece, pois a
referência da cultura de eventos populares do interior todo do Amazonas é
inspirado e tem moldes do festival dos Tupinambás. Merece, pois a referência do
Amazonas fora do estado é o festival e a genialidade dos artistas. Na capital
perdemos espaço para outros segmentos culturais, seja na música ou dança. Mais
isso é natural, ninguém é obrigado a gostar apenas do “dois pra lá e dois pra
cá”. Não se pode ainda simplesmente comparar de forma econômica o Festival de
Parintins com o Carnaval do Rio de Janeiro e São Paulo, pois além de estarem no
centro financeiro do Brasil, receberem apoio dos governos federais, estaduais e
municipais, essas escolas de sambas têm dos generosos “bicheiros” vultosas
doações, sequer contabilizadas.
Dessa forma, é preciso ação de forma
positiva do executivo estadual para evitar o sepultamento gradativo do Festival
Folclórico de Parintins, pois a reação de Parintins começou.
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